Uma breve história das Tunas

Uma breve história das Tunas

Nas cidades com universidade é comum haver capas negras em festa pelas ruas e grupos de estudantes a cantar baladas e serenatas a quem passa ou sob janelas de raparigas, de noite e de dia, o ano inteiro. As tunas são omnipresentes na vida e tradições académicas e nas cidades que habitam.

Mas como nasceram as tunas e os seus hábitos e porque tocam os instrumentos que tocam? Venham connosco numa breve viagem pela história destes agrupamentos que fazem parte da vida de muitos estudantes e que definem, para muitos, a essência da vida académica para além das salas de aula. Uma coisa vos podemos dizer já: não são uma tradição tão antiga como pensam.

A vida boémia dos estudantes

Não é de agora que os estudantes gostam de música, de poesia e de vinho e, principalmente, de se embriagar com eles, no companheirismo de tascas e de casas partilhadas. O hábito de cantar e tocar em grupo sempre existiu em todas as comunidades e ganhou uma maior expressão nos espíritos impressionáveis e em busca de mundo dos jovens universitários.

Desde que há universidades que há estudantes boémios, que percorriam as ruas em alegre folia musical (“correr a tuna”), mas a primeira tuna digna desse nome, com hierarquia, regras e organização própria surge em 1876, com a Tuna Universitária de Compostela.

O fenómeno é completamente ibérico e nascido do lado espanhol, e passa para o lado de cá da fronteira quando os estudantes compostelanos visitam Portugal e apadrinham a criação da Tuna da Universidade de Coimbra em 1888. Nas décadas seguintes, surgem tunas em diversas Universidades da Península, algumas com tanta popularidade que ultrapassam os limites continentais e vão actuar na América do Sul, lançando as sementes para novos conjuntos por terras latino americanas.

O que define uma Tuna

O conceito de tuna evoluiu ao longo das décadas mas, em Portugal, cristalizou-se nos anos 80 como um conjunto musical composto por estudantes universitários, vestidos a rigor com as vestes tradicionais da sua alma mater, com identidade, organização, regras e hierarquias próprias.

Como as tunas eram originalmente conjuntos musicais itinerantes, os cordofones são o tipo de instrumentos mais comuns, por serem práticos de transportar e fáceis de aprender, até porque que muitos estudantes aprenderam música na tuna em que ingressaram, o que lhes dá ainda maior importância e valor.

Nos cordofones usados pelas tunas podemos encontrar guitarras clássicas, bandolins, cavaquinhos, contrabaixo ou baixo acústico, violinos e violas.

As tunas têm ainda no seu arsenal instrumentos de percussão como o bombo e a pandeireta, e algumas incorporam acordeãos, flautas e outros instrumentos menos previsíveis mas que fazem parte dos recursos musicais dos seus elementos, sendo possível ver saxofones e outros instrumentos menos tradicionais nos seus naipes.

As tunas em Portugal adotaram muitas das características das tunas espanholas, como “a postura de pé, o bailar do estandarte e das pandeiretas, os símbolos nas capas”, que lhes dão aquela presença e animação tão próprias destes conjuntos.

Mas porquê o nome “tuna”? Os especialistas não chegam a conclusões definitivas. Existe uma versão da história das tunas que romantiza as suas origens e percurso mas, de acordo com o maior estudo académico sobre a história destes agrupamentos (“QVID TUNAE - A Tuna Estudantil em Portugal”), as tunas chamam-se assim por causa dos "thunes", albergues para mendigos que, provavelmente, abrigavam os estudantes mais pobres nas suas digressões musicais pelas cidades onde actuavam. Mas há mais possibilidades para a origem do nome, assim como outros pormenores sobre estes grupos, que podem e devem descobrir nesse trabalho de investigação.

As tunas modernas

Nascidas da energia e poesia dos jovens estudantes do século XIX, as tunas em Portugal eram só realmente duas até aos 80 do século passado, a da Universidade de Coimbra e a da Universidade do Porto. Com o crescimento no número de estudantes do ensino superior e de universidades nacionais, as tunas multiplicaram-se por todo o país, o que faz com que, na realidade, as tunas portuguesas sejam ainda um fenómeno bastante recente.

Os festivais de tunas multiplicaram-se e há eventos de alta qualidade que juntam grupos ibéricos e da América do Sul, e já alguns de outras origens europeias que também começaram a incorporar esta tradição nas suas. 

A vossa tuna precisa de renovar guitarras e não só? Temos instrumentos resistentes e acessíveis, que sobrevivem à vida exigente das tunas.

Visitem-nos e soltem um eferreá. Se vão estudar para fora e querem ter instrumentos de qualidade para tocar e praticar, vejam o que o Salão Musical de Lisboa tem no catálogo para vocês.

Publicado no dia 2019-09-24 por Salão Musical de Lisboa Atualidade 0 10

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